Toda paixão é superficial e todo amor é profundo.
Não se pode viver apaixonadamente e ao mesmo tempo suportar o amor das coisas
Não se pode apaixonar por todas as coisas sem desejar amá-las, e nem amá-las desejando a felicidade superficial das paixões.
A paixão é assim, como adorar um dia de sol sem pensar no frio da noite.
É provar o doce ignorando todo o potencial que seu paladar tem para degustar o sal e até mesmo o fel.
É admirar os seres humanos porque eles lhe sorriem e são tão fortes!
É costurar a apatia na alma e desejar que ela seja sincera sem ponderar.
Já o amor é sentir seu coração leve mesmo sentindo o frio da noite, sabendo que amanhã o sol pode não retornar.
Amar as coisas é sentir toda sua composição imperfeita na alma e desejar a fundo toda sua essência, mesmo que doa, mesmo que moa.
Amar o ser humano é como amar a música, que mexe, balança, renova, toca e transcende. Por minutos, horas, dias, séculos...sempre uma dança, uma nova experiência pra alma. É ser virgem de novo, todos os dias...sem saber, sem se apaixonar, profundamente intenso.
Se apaixonar é ignorar e ser feliz.
Amar é fazer toda experiência, dolorosa ou não, parte da alma.
Capuccino & Gorgonzola
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Meu Deus
Deus: Eu sou teu Deus
Homem: Eu sou teu Homem
Deus: Suas lágrimas irrigam essas terras
Homem: Não posso mais ser parte dessa dor e sorrir por mais
um dia
Deus: Tens a lua e as estrelas...
Homem: ...tenho fome e frio
Deus: ...tens o sol e um céu azul...
Homem: ...tenho medo e dor...
Deus: ...tens a alegria do canto dos pássaros e da sinfonia
do mar...
Homem: ...eu ouço os gritos de minhas crianças sendo
estupradas!
Deus: ...dei-lhe o dom da arte
Homem: ...dela não mais faço parte!
Deus: Ame teu próximo...
Homem: ...meu próximo destrói a esperança nas ruas do caos e
mata minhas crianças
Deus: Suas crianças serão sua eterna esperança...
Homem: ...estão todas prostituídas ou mortas, das que
restaram no jardim, amanhã já não estarão lá
Deus: Tenha fé, sou teu Deus...
Homem: Eu...eu... sou teu Homem
Deus: Dei-lhe este mundo para que aprendas...
Homem: ...aprender a amar
Deus: ...e a cuidar, elevar-te-á ao constituir família
Homem: ...ela perecerá no caos, cedo ou tarde, antes da
segunda geração!
Deus: ...estarás morto antes que isso aconteça, entretanto
podes ter fé...pois sou teu Deus!
Homem: ... e eu sou apenas um homem! Será que não entendes?
Sou apenas um grão de areia no meio do universo!
Deus: ...mas és filho...
Homem: ...sou filho do caos e da desilusão, sou um criador
de sonhos grandiosos num infinito de caos e trevas! Não precisei cortar a língua
para não mais sentir o gosto do vinho ou do doce, pois o sangue que bebo de
minhas crianças para não deixá-lo jorrar no chão já é amargo o bastante...
Deus: ...olhe pro alto e veja-me quando olhar pras
estrelas...
Homem: ...meu céu está poluído e escuro, meus olhos ardem e
não precisarei arrancá-los para não mais ter que ver o canibalismo ao qual nos
sujeitou!
Deus: ...é pra aprenderes a...
Homem: ...EU JÁ APRENDI QUE NÃO SOMOS NADA ALÉM DE MOFO E
BOLOR NO PÃO!!! APRENDI QUE SOMOS TÃO PODRES QUANTO VOCÊ POIS IGNORAMOS NOSSAS
CRIANÇAS PARA QUE POSSAM SOFRER E CRESCER, PRA MATAR E MORRER!!!
Deus: ...sou teu Homem...
Homem: ...e eu sou teu Deus!
Deus & Homem: ...sou todo sorriso da apatia e as
lágrimas da desesperança, sou a morte e a dança...sou a compreensão do jovem
incompreendido e do adulto perdido, do velho esquecido e do inocente nascido
Sou teu Homem, sou teu Deus humano, seu senhor entre os
senhores, das terras do caos à Terra Mãe...sussurrarei aos ouvidos que sou sua
melhor criação, do princípio ao fim, eterno até que sua prole pereça e
desapareça...
Deus: És meu Homem...
Homem: ...És meu Deus...
Deus:...És meu Deus...
Homem: És meu homem
Deus & Homem: E assim sempre será.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Sementes de Outrora
"Eu quero encontrar a rosa dos ventos e me guiar..." (Azimuth)
Pra onde vão nossas crianças?
Pelo que lutam nossos jovens?
Se são pacifistas, pelo que meditam?
Não...mas ainda há luta, luta por sangue e por gangue
Pelo que sangram?
Sangue costumava ser glorioso...hoje é só catchup, que comemos todos os dias no jantar
Vivemos em sociedade pelo puro comodismo de tornar nossas vidas mais interessantes com um pouco de futebol, novela, bebidas, sexo e alguns conversíveis.
"É muito engraçado que todos tenham os mesmos sonhos e que o sonho nunca vire realidade" (Humberto Gessinger)
Transformamos os sonhos de nossas crianças em anestesia
Quando se tornam jovens, esses sonhos se agregam à lemas profundos de reflexão como "tchetchereretchetche" "lelele parapapá berebere"...
Lamento, pela cria que os grandes alimentam, lamento pelo jovem de hoje
Pelo que pagamos, pelo que matamos, pelo que cantamos
Pelos bardos de nossos reinos tão pequenos
Me disseram que um homem só vive porque sonha
Mas quando pensamos em humanidade, que tipo de sonho se tem coletivamente?
Muitos houveram na história, e muitos tornaram-se realidade, outros ainda vivem por suas idéias
O tempo deixou pra trás as gerações de guerreiros que empunhavam suas espadas e iam a guerra por um reino melhor
Onde bardos entoavam cânticos heroicos ao invés de sexo, bebidas e conversíveis...
Pelo prazer há um preço alto a pagar.
Fechar os olhos e os ouvidos sempre foi algo fácil de se fazer quando não podemos fitar e ouvir a dor, a fome e o pior, uma era de sementes fadadas a definhar.
Que nosso plantio seja mais cuidadoso pois alegria e promiscuidade não farão seus netos capazes de cuidar de nossa morada como nossos avós o fizeram.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Íntima Canção
A caminho de logo mais, vou mais um pouquinho
Mesmo no rumo certo, mesmo sozinho
Vento de estrada, guia minha saudade, sem idade
Na cidade, na cidade...
Ainda to no banco de trás, contado gotinhas que batem na
janela
Sem dor...(sem ela)
...amor...(por ela)
...de sabor (dela)
As canções que cantei, todas que vi e que não ensaiei, ainda
sei...
Íntima canção, toca baixinho, pra um só garotinho...só eu
sei...
Do medo da víbora ao sonho do castelo de cristal
Não há mal, não quero não
Quero minha canção
Sonhos de Adeus que temo enfrentar
Sonhos de vida que quero doar
A íntima canção poder cantar
Sem me preocupar, a quem agradar, além dela, por ela, só
ela...amar
domingo, 12 de agosto de 2012
Sangue da Terra
Venho de uma terra árida
Caminhando por esse chão seco e quente
Há tanta gente, tanta gente...
Suor já não há mais,
Nem tampouco o vento
Um horizonte, um tormento, já não mais um acalento...
Se grito é de pavor, de sede, de desejo
Mas se me calo é porque me assustei comigo mesmo, com meu almejo
Meu silêncio se vai com o sangue que agora rega esta terra seca
Terra vermelha e viva, úmida e quente. Por seu encalço ainda passa muita gente, muita gente...
A noite cai, o calor se vai
Embora não haja vento, também não há tormento
Acalento?!
Sangue não há
Desejo e pavor se foram com o calor
Almejos e gritos, nem que eu os tente...já não há gente
Nos últimos passos o horizonte clareou,
Então pude ver...é só uma parede
Fecho os olhos e tudo que me resta...é sede.
Caminhando por esse chão seco e quente
Há tanta gente, tanta gente...
Suor já não há mais,
Nem tampouco o vento
Um horizonte, um tormento, já não mais um acalento...
Se grito é de pavor, de sede, de desejo
Mas se me calo é porque me assustei comigo mesmo, com meu almejo
Meu silêncio se vai com o sangue que agora rega esta terra seca
Terra vermelha e viva, úmida e quente. Por seu encalço ainda passa muita gente, muita gente...
A noite cai, o calor se vai
Embora não haja vento, também não há tormento
Acalento?!
Sangue não há
Desejo e pavor se foram com o calor
Almejos e gritos, nem que eu os tente...já não há gente
Nos últimos passos o horizonte clareou,
Então pude ver...é só uma parede
Fecho os olhos e tudo que me resta...é sede.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
O Muro
"...sonhei que as pessoas eram boas em um mundo de amor e acordei com a 3ª guerra mundial..." (Pouca Vogal)
Me disseram que amor era maior do que tudo
Maior do que a dor, maior que o muro
Me disseram que quem construiu o muro foi o homem, fomos nós,
somos pequenos...
Disseram que nosso muro foi construído pelos tijolos de nossas miudezas, de franquezas e fraquezas
Mas o amor é maior do que o muro, que o mundo, que tudo!
Crescemos pequenos, ainda que almejando o tamanho do amor, nunca ultrapassamos o tamanho de nossos pequenos muros.
Pedimos escadas e cordas pra amar, pra saltar o muro e transcender, pra superar nossa própria obra
Criamos um muro tão pequeno, no entanto, por ego ou puro comodismo, enxergamos-o como a Muralha da China.
Pintamos os tijolos de verde e amarelo pra ficar vistoso! Tão sólido, tão firme, tão palpável...pra muitos chega a ser "amável".
Amor à miudezas, franquezas e fraquezas, e nada além...
Envelhecemos pequenos, e quando finalmente o muro nós vencemos, há pouco a se fazer com o resto de tempo que nos resta...
mas ainda dá pra fazer uma festa!
Festejar, erguer a taça e brindar com uma grande lição:
"Vivi todos esses anos construindo um muro. Um muro forte, de muitas cores e sabores! Sim, meu muro era uma delícia! Entretanto, hoje percebi que construí algo inútil. Pois o verdadeiro trabalho a ser feito é bem maior do que este muro..."
...maior que o mundo, maior que tudo! Mas sou tão pequeno, como posso fazer coisas grandes?
Morremos pequenos, ainda que seja tão simples crescer se não perdermos tempo construindo um muro inútil.
Muro barra o toque do vento,
o vento traz boas novas,
novas idéias,
novos conceitos,
novas mudanças.
Nosso muro colorido nos protege apenas de nós mesmos, porque além dele existe um mundo com muito mais cor, com o verdadeiro amor.
Me disseram que amor era maior do que tudo
Maior do que a dor, maior que o muro
Me disseram que quem construiu o muro foi o homem, fomos nós,
somos pequenos...
Disseram que nosso muro foi construído pelos tijolos de nossas miudezas, de franquezas e fraquezas
Mas o amor é maior do que o muro, que o mundo, que tudo!
Crescemos pequenos, ainda que almejando o tamanho do amor, nunca ultrapassamos o tamanho de nossos pequenos muros.
Pedimos escadas e cordas pra amar, pra saltar o muro e transcender, pra superar nossa própria obra
Criamos um muro tão pequeno, no entanto, por ego ou puro comodismo, enxergamos-o como a Muralha da China.
Pintamos os tijolos de verde e amarelo pra ficar vistoso! Tão sólido, tão firme, tão palpável...pra muitos chega a ser "amável".
Amor à miudezas, franquezas e fraquezas, e nada além...
Envelhecemos pequenos, e quando finalmente o muro nós vencemos, há pouco a se fazer com o resto de tempo que nos resta...
mas ainda dá pra fazer uma festa!
Festejar, erguer a taça e brindar com uma grande lição:
"Vivi todos esses anos construindo um muro. Um muro forte, de muitas cores e sabores! Sim, meu muro era uma delícia! Entretanto, hoje percebi que construí algo inútil. Pois o verdadeiro trabalho a ser feito é bem maior do que este muro..."
...maior que o mundo, maior que tudo! Mas sou tão pequeno, como posso fazer coisas grandes?
Morremos pequenos, ainda que seja tão simples crescer se não perdermos tempo construindo um muro inútil.
Muro barra o toque do vento,
o vento traz boas novas,
novas idéias,
novos conceitos,
novas mudanças.
Nosso muro colorido nos protege apenas de nós mesmos, porque além dele existe um mundo com muito mais cor, com o verdadeiro amor.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
A árvore do meu Quintal
A árvore do meu quintal...
Ainda que deito-me sob sua sombra, sinto calor, amor
Ainda que suas folhas sequem, consigo enxergar o verde
Ainda que seus galhos sejam estreitos e finos, lá há um ninho
Ainda que o outono chegue e a deixe nua, há uma silhueta de ramo à luz da lua
Ainda que a primavera demore a voltar, sei que suas flores voltarão a dourar
Ainda que pareça espaço mal gasto, é minha árvore e não um pasto
Não serve de alimento pra animal
É repouso pro meu corpo,
Esperança de criança,
A árvore do meu quintal...
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