segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Íntima Canção



A caminho de logo mais, vou mais um pouquinho
Mesmo no rumo certo, mesmo sozinho
Vento de estrada, guia minha saudade, sem idade
Na cidade, na cidade...
Ainda to no banco de trás, contado gotinhas que batem na janela
Sem dor...(sem ela)
...amor...(por ela)
...de sabor (dela)
As canções que cantei, todas que vi e que não ensaiei, ainda sei...
Íntima canção, toca baixinho, pra um só garotinho...só eu sei...
Do medo da víbora ao sonho do castelo de cristal
Não há mal, não quero não
Quero minha canção
Sonhos de Adeus que temo enfrentar
Sonhos de vida que quero doar
A íntima canção poder cantar
Sem me preocupar, a quem agradar, além dela, por ela, só ela...amar

domingo, 12 de agosto de 2012

Sangue da Terra

Venho de uma terra árida
Caminhando por esse chão seco e quente
Há tanta gente, tanta gente...
Suor já não há mais,
Nem tampouco o vento
Um horizonte, um tormento, já não mais um acalento...
Se grito é de pavor, de sede, de desejo
Mas se me calo é porque me assustei comigo mesmo, com meu almejo
Meu silêncio se vai com o sangue que agora rega esta terra seca
Terra vermelha e viva, úmida e quente. Por seu encalço ainda passa muita gente, muita gente...
A noite cai, o calor se vai
Embora não haja vento, também não há tormento
Acalento?!
Sangue não há
Desejo e pavor se foram com o calor
Almejos e gritos, nem que eu os tente...já não há gente
Nos últimos passos o horizonte clareou,
Então pude ver...é só uma parede
Fecho os olhos e tudo que me resta...é sede.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O Muro

"...sonhei que as pessoas eram boas em um mundo de amor e acordei com a 3ª guerra mundial..." (Pouca Vogal)

Me disseram que amor era maior do que tudo
Maior do que a dor, maior que o muro
Me disseram que quem construiu o muro foi o homem, fomos nós,
somos pequenos...
Disseram que nosso muro foi construído pelos tijolos de nossas miudezas, de franquezas e fraquezas
Mas o amor é maior do que o muro, que o mundo, que tudo!
Crescemos pequenos, ainda que almejando o tamanho do amor, nunca ultrapassamos o tamanho de nossos pequenos muros.
Pedimos escadas e cordas pra amar, pra saltar o muro e transcender, pra superar nossa própria obra
Criamos um muro tão pequeno, no entanto, por ego ou puro comodismo, enxergamos-o como a Muralha da China.
Pintamos os tijolos de verde e amarelo pra ficar vistoso! Tão sólido, tão firme, tão palpável...pra muitos chega a ser "amável".
Amor à miudezas, franquezas e fraquezas, e nada além...
Envelhecemos pequenos, e quando finalmente o muro nós vencemos, há pouco a se fazer com o resto de tempo que nos resta...
mas ainda dá pra fazer uma festa!
Festejar, erguer a taça e brindar com uma grande lição:
"Vivi todos esses anos construindo um muro. Um muro forte, de muitas cores e sabores! Sim, meu muro era uma delícia! Entretanto, hoje percebi que construí algo inútil. Pois o verdadeiro trabalho a ser feito é bem maior do que este muro..."
...maior que o mundo, maior que tudo! Mas sou tão pequeno, como posso fazer coisas grandes?
Morremos pequenos, ainda que seja tão simples crescer se não perdermos tempo construindo um muro inútil.
Muro barra o toque do vento,
o vento traz boas novas,
novas idéias,
novos conceitos,
novas mudanças.
Nosso muro colorido nos protege apenas de nós mesmos, porque além dele existe um mundo com muito mais cor, com o verdadeiro amor.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A árvore do meu Quintal

A árvore do meu quintal...
Ainda que deito-me sob sua sombra, sinto calor, amor
Ainda que suas folhas sequem, consigo enxergar o verde
Ainda que seus galhos sejam estreitos e finos, lá há um ninho
Ainda que o outono chegue e a deixe nua, há uma silhueta de ramo à luz da lua
Ainda que a primavera demore a voltar, sei que suas flores voltarão a dourar
Ainda que pareça espaço mal gasto, é minha árvore e não um pasto
Não serve de alimento pra animal
É repouso pro meu corpo,
Esperança de criança,
A árvore do meu quintal...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Pão francês

Bom dia, minha senhora! Sou eu, seu velho freguês!
Hoje quero um litro de leite, um pote de manteiga e um pão francês!
Não, senhora! Francês só o pão, eu sou brasileiro e falo "brasileirês"!
Por favor minha senhora! Não precisa se irritar! Só quero o pão francês, mas já que não tem, dê-me um libanês que já irá me agradar!
Não sou metido a estrangeiro, outra língua não sei falar, não quero ser grosseiro. Mas por vossa incompreensão, estou passando por estúpido marinheiro. Marinheiro de primeira viagem, devo dizer...
A faca que guardo na bainha da calça é pra cortar o pão! O maldito pão francês\libanês\norueguês\polonês\inglês que por sua simples causa a senhora tomou como ofensa ao me ouvir definir como "brasileirês" o velho português.
Melhor voltar pro meu barco, ou minha velha jangada, que de prosas educadas já não se recorda de nada.
Volto sem meu pão estrangeiro, mas com fome não fico, pois o mar tá recheado de peixes pra esse velho marinheiro.

segunda-feira, 16 de abril de 2012


No pesar dos meus momentos,
que se tornam apenas um à cada lufada de lembrança,
eu começo a retrair toda minha essência para um aroma,
um olhar, um abraço, uma lágrima...
A lágrima rola,
desce através de um olhar que precede um abraço,
que foi o último depois de olhares secos e abraços breves.
O aroma me conduz por trilhas de um passado doce,
tão doce quanto aquela infância que nunca mais voltará.
Seu sorriso se condensou em um maxilar imutavelmente frio e toda a magia que dourou aqueles olhos se tornaram friamente reais com o passar dos anos.
Abrir os olhos e fechar o coração,
drenar a própria alma em prol de um conhecimento que o leva ao chão.
Conclusão em vão?
Qual é o limite pra sentir aquela lágrima rolando meu rosto novamente?
O limite é o preço.
O preço que aqueles olhos pagam por terem se aberto assassinando a magia.
Seria apenas um sonho de criança ou um saudosismo de um velho?
Seja o que for,
tudo o que resta agora se resume à uma esperança decadente e definhada de um velho utopicamente vivo por lembranças de uma criança morta pela vida de um velho.
Aroma,
lágrima,
olhar e um abraço.
Momentos em um.
Lufada de lugar nenhum,
 coração saudoso de uma alma vazia
 mas esperançosa após segundos em duas décadas de magia.
Com o crepúsculo se fora a magia,
vamos dormir e aguardar pela realidade a vir com a aurora e agora,
sem nostalgia.

Boas Vindas!

Bom dia pessoal!!!

Bem vindos ao meu blog! Criei-o para ter um espaço para divulgar alguns de meus textos que escrevo de vez em quando. Esse não é um blog onde vocês verão atualizações regularmente pois só utilizarei quando realmente tiver algo para expressar. Vocês devem estar se perguntando o porque do título. Pois bem, dei esse saboroso nome porque são duas delícias que amo degustar a qualquer momento, mas, sobretudo, não tem momento melhor pra tomar aquela xícara de capuccino fumegante e comer cubinhos de gorgonzola enquanto leio coisas que me fazem refletir de alguma forma. E confesso que capuccino sempre me faz pensar na vida! XD
Então é isso, em breve posto meu primeiro texto pra vocês! Beijão!!!