No pesar dos meus
momentos,
que se tornam apenas um à cada lufada de
lembrança,
eu começo a retrair
toda minha essência para um aroma,
um olhar, um abraço,
uma lágrima...
A lágrima rola,
desce através de um
olhar que precede um abraço,
que foi o último
depois de olhares secos e abraços breves.
O aroma me conduz por
trilhas de um passado doce,
tão doce quanto aquela
infância que nunca mais voltará.
Seu sorriso se
condensou em um maxilar imutavelmente frio e toda a magia que dourou aqueles
olhos se tornaram friamente reais com o passar dos anos.
Abrir os olhos e
fechar o coração,
drenar a própria alma
em prol de um conhecimento que o leva ao chão.
Conclusão em vão?
Qual é o limite pra
sentir aquela lágrima rolando meu rosto novamente?
O limite é o preço.
O preço que aqueles
olhos pagam por terem se aberto assassinando a magia.
Seria apenas um sonho
de criança ou um saudosismo de um velho?
Seja o que for,
tudo o que resta agora
se resume à uma esperança decadente e definhada de um velho utopicamente vivo
por lembranças de uma criança morta pela vida de um velho.
Aroma,
lágrima,
olhar e um abraço.
Momentos em um.
Lufada de lugar
nenhum,
coração saudoso de uma alma vazia
mas esperançosa após segundos em duas décadas
de magia.
Com o crepúsculo se fora
a magia,
vamos dormir e
aguardar pela realidade a vir com a aurora e agora,
sem nostalgia.