segunda-feira, 16 de abril de 2012


No pesar dos meus momentos,
que se tornam apenas um à cada lufada de lembrança,
eu começo a retrair toda minha essência para um aroma,
um olhar, um abraço, uma lágrima...
A lágrima rola,
desce através de um olhar que precede um abraço,
que foi o último depois de olhares secos e abraços breves.
O aroma me conduz por trilhas de um passado doce,
tão doce quanto aquela infância que nunca mais voltará.
Seu sorriso se condensou em um maxilar imutavelmente frio e toda a magia que dourou aqueles olhos se tornaram friamente reais com o passar dos anos.
Abrir os olhos e fechar o coração,
drenar a própria alma em prol de um conhecimento que o leva ao chão.
Conclusão em vão?
Qual é o limite pra sentir aquela lágrima rolando meu rosto novamente?
O limite é o preço.
O preço que aqueles olhos pagam por terem se aberto assassinando a magia.
Seria apenas um sonho de criança ou um saudosismo de um velho?
Seja o que for,
tudo o que resta agora se resume à uma esperança decadente e definhada de um velho utopicamente vivo por lembranças de uma criança morta pela vida de um velho.
Aroma,
lágrima,
olhar e um abraço.
Momentos em um.
Lufada de lugar nenhum,
 coração saudoso de uma alma vazia
 mas esperançosa após segundos em duas décadas de magia.
Com o crepúsculo se fora a magia,
vamos dormir e aguardar pela realidade a vir com a aurora e agora,
sem nostalgia.

2 comentários:

  1. Lindo! Ora simples, ora profundo, e muito, muito belo! Gostei!

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    1. Valeu, Lud! Esse texto tem 4 anos! Ele tava perdidinho aqui no meu HD e resolvi abrir o blog com ele, já que fala de algo tão gostoso que é a saudade da infância. Peço desculpas aos leitores pela falta de título nesse texto. Mas é que realmente não o batizei quando o fiz e decidi mantê-lo dessa forma. Beijão!

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